Leitão 653

Local: SP, Brasil
Início do projeto: 2007
Conclusão da obra: 2012
Área do terreno: 425m²
Área construída: 1.280m²

Tipo de obra:
Edifícios comerciais
Tipologia:
Comercial
Materiais predominantes:
Concreto / Vidro
Diferenciais técnicos:
Design / Eficiência Térmica
Ambientes e Aplicações:
Fachadas de edifícios

Conexão com a cidade

“O edifício Leitão 653 foi concebido como um lugar de inspiração em conexão permanente com a cidade”, afirmam os arquitetos Greg Bousquet, Guillaume Sibaud, Olivier Raffaelli e a brasileira Carolina Bueno, do escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture. A razão desta forte ligação começa na própria fachada lateral dotada de um grande painel transparente, constituído por três tipos de blocos de vidro: jateado, transparente e na cor branca.

Durante o dia, a fachada recebe e absorve a luz do sol gentilmente, enquanto o interior inunda-se de pixels, formando um tecnológico desenho. À noite, a luz interna da construção irradia por entre os vidros para o exterior, tornando o prédio transparente e lembrando um muxarabi ou até uma catedral da idade média, com seu ‘vitral’ contemporâneo revisitado. Cada escritório em funcionamento faz do prédio uma enorme lanterna. Para os transeuntes, fica o movimento de silhuetas contra a luz.

No coração de Pinheiros

O popular bairro de Pinheiros, em São Paulo, faz parte do cenário deste prédio comercial. O Leitão 653 ocupa uma estreita e comprida faixa de terreno com, aproximadamente, 42 x 10 metros. O edifício não foge à configuração do lote: possui apenas 4 metros de largura e 25 metros de altura. Ele está ladeado por construções tradicionais e torres residenciais de variadas escalas.

Sua arquitetura – no mínimo inusitada – combina na frente pequenas sacadas alternadas com a lateral de tijolos de vidro, que remete a um jogo de esconde-esconde. No teto, mais uma surpresa: áreas de estar e de intercâmbio promovem o lazer aos usuários.

Design: Inspiração na Maison de Verre

Longe de ser estática, esta arquitetura estabelece uma fácil comunicação entre o meio urbano e o interior do edifício e teve inspiração na Maison de Verre, de Pierre Chareau, localizada em Paris. A casa projetada e construída entre 1928 e 1932 foi o primeiro projeto a incorporar o bloco de vidro nos fechamentos, experimentando uma nova estética arquitetônica.

Os arquitetos do Triptyque confessam a predileção pela construção quando ainda eram estudantes em Paris e iam visitá-la. “As cenas de transparência transmitem um erotismo sutil e revelam outro uso do prédio, visível a partir da rua”, reflete Greg Bousquet. É que a fachada filtra a vista urbana, o barulho e a luz zenital, como uma tela entre o prédio e a cidade.

Materiais: mais que blocos de vidro

Elemento industrializado, autoportante, disponível em qualquer loja de construção, o bloco de vidro caracteriza e qualifica o Leitão 653. Ele traz uma luz difusa e uniforme para o espaço estreito. Funciona também como um filtro, pois minimiza o impacto da vista direta para o cemitério vizinho.

Outra vantagem do uso do material é a questão térmica. Os tijolos, escolhidos em três tipos – vidro transparente, jateado e branco – têm um padrão com estética aleatória, mas desempenham também a função de proteção solar e térmica. “Isto é o que mais nos agrada. Explorar de maneira estética e técnica um material simples e muitas vezes subestimado. E conseguir com o bloco de vidro tirar partido de um lote estreito e difícil", afirmam os arquitetos.

Há, ainda, um terceiro benefício. Quando o edifício foi concebido, entrava em vigor a Lei Cidade Limpa, que proibia mensagens publicitárias. Assim, a empena de vidro, com escala e posição próprios de um outdoor, remete às imagens transmitidas pelos antigos aparelhos de tevê, quando o sinal de comunicação falhava.

Uso comercial

O Leitão 653, do Triptyque Architecture mescla diversos usos em seu arrojado projeto: serviços, comércio, cultura, gastronomia e entretenimento à sua volta. São sete andares, entre eles dois dúplex, ocupados por escritórios de 47 a 214 m², além de espaços para lojas ou galerias com 70 m², 94 m² ou 164 m². O embasamento é ocupado por uma concessionária e, sobre ela, há dois escritórios. Um terraço faz a transição para os quatro andares do edifício, caracterizados pela parede em bloco de vidro. Nesses pavimentos estão os escritórios comerciais dúplex e, na cobertura, fica a área comum, que abriga a sala para reuniões e o terraço jardim compartilhados por todos.

A circulação vertical centralizada favorece a entrada de luz natural e vistas para o exterior em quase toda a extensão do perímetro. O layout flexível ajusta-se às necessidades de cada condômino, que ainda dispõe de estacionamento rotativo, piso elevado e infraestrutura para ar-condicionado do tipo split system.

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