Casa Mattos

Localização: São Paulo, Brasil
Área: 358.51 m2
Ano do projeto: 2015
Fotografias: Rafaela Netto
Fabricantes: Marcenaria, Pintura, Iluminação, Pedras, Mobiliário, Luminárias, Ceramica


Do arquiteto. Realizar a casa para uma família jovem era a principal questão deste projeto. O terreno, em declive com inclinação acentuada possui uma interessante vista para uma importante artéria da cidade de São Paulo. A apropriação do terreno em relação à espacialidade da casa, os fluxos e a área de lazer nos pareceu desde o princípio uma das maiores questões a serem superadas nesse trabalho.

Após intenso estudo do terreno e da organização espacial da residência, decidimos propor uma ocupação em níveis. O primeiro nível é ocupado pela garagem, acesso e um jardim. A ala intima se encontra nesse nível, suspensa, mas o visitante é conduzido por uma escada imediatamente após o hall, para a área social, localizada no nível abaixo. Este segundo nível possui os serviços, cozinha gourmet e sala de jantar, e dá acesso para um novo nível de jardim, além de possuir um pé direito duplo que o relaciona com o home Theater e circulação acima. O último nível, um pouco abaixo possui pé direito e meio de altura e configura a sala de estar, completamente aberta para a vista e para um platô externo com solário e piscina.

A estrutura da casa é mista, uma parede de concreto aparente ao lado esquerdo é o elemento conector dos diferentes níveis da arquitetura e organiza a escada principal de ligação de todos os níveis. O restante da estrutura é realizado em estrutura metálica e componentes leves, permitindo extensas áreas envidraçadas.

A questão da estrutura e das vedações foi uma das principais abordagens do projeto: o contraste entre o monólito superior da área intima, fechado, pesado, com a área social, envidraçada, seccionada pelos platôs sempre nos pareceu uma solução modernista típica da escola paulista, adequada ao local e as necessidades desse projeto. Em contrapartida a parede estrutural em concreto aparente cria, dependendo do ponto de vista do visitante, uma espécie de enlace entre os diferentes níveis, unindo fachada, parede, estrutura e piso.

As relações entre áreas externas e internas, e trabalhar as diferenças de pé direito dos ambientes de forma a acentuá-las e respeitar a arquitetura foi uma das questões que tratamos também na escolha de materiais e desenho de elementos complementares. A estética a ser adotada no desenho de interiores também era uma questão importante – a casa, com desenho essencialmente modernista trabalha cheios e vazios, assim como contrastes entre o leve e o pesado, mas nos parecia muito importante buscar um conjunto de peças que respeitasse e enaltecesse o passado modernista paulista sem deixar de lado uma visão contemporânea do design. Para tanto reunimos peças modernistas clássicas como as cadeiras plywood chair do Eames ou a poltrona womb de Saarinen combinando-as com peças de designers brasileiros contemporâneos como Jader Almeida, Marcus Silveira, Felipe Protti, Natasha Shlobach e Estudio Bola.

A espacialidade, quase minimalista foi definida pelos panos de vidro, revestimentos negros do bloco superior e concreto na parede e piso, e esses elementos foram fundamentais na escolha e definição do mobiliário. Fechando este projeto se encontra uma grande luminária sobre a sala de jantar, no pé direito duplo, composta de 36 peças independentes e desenhada em uma parceria de nosso escritório com o estúdio Prole e que pode ser vista de vários ângulos – a partir da sala, sobre a sala de jantar, pela passarela de acesso aos quartos e Home Theater, como um elemento de articulação tridimensional entre esses diferentes níveis.

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