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SEUL TRANSFORMA UMA VIA ELEVADA EM UM ORIGINAL JARDIM URBANO

COM UM QUILÔMETRO DE COMPRIMENTO, PARQUE DISPÕE EM ORDEM ALFABÉTICA 228 ESPÉCIES BOTÂNICAS DO PAÍS

Algumas das grandes cidades do mundo querem voltar a acolher seus pedestres. Nesse processo, compreenderam que suas vias elevadas são apenas o símbolo de um progresso mal entendido. Por isso, muitas dessas construções estão sendo transformadas em parques urbanos a vários metros de altura, como o famoso High Line, em Nova York. Seul, na Coreia do Sul, deu na semana passada um passo mais longo, criando em uma delas um viveiro em pleno centro. Mais de 24.000 árvores e plantas compõem esta gigantesca biblioteca botânica ao ar livre chamada Skygarden.

Nos últimos tempos, Seul foi notícia devido a casos de corrupção política e consequentes protestos de seus cidadãos. O Skygarden é por isso mais que uma cura verde para uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes e mais de 3 milhões de veículos registrados; as autoridades tentam se reconciliar com propostas como essa com os habitantes da capital sul-coreana.
Durante os anos setenta surgiram em Seul vias elevadas como tentativa de aliviar o excesso de tráfego. Na verdade, somente contribuíram para contaminar o ar. Seus elevados custos de manutenção e uma crescente consciência sustentável condenaram ao desuso essas estruturas.

A prefeitura da cidade permitiu a construção desse “dicionário botânico vivo”. É assim que gostam de chamá-lo seus criadores, do estúdio de arquitetura holandês MVRDV, quando falam do projeto com Verne.
Essa estrutura se transformou num calçadão com um quilômetro de comprimento que liga o famoso mercado Namdaemun a alguns bairros do centro. Nele se abrigam 228 espécies botânicas diferentes, a 17 metros de altura e em rigorosa ordem alfabética.
“O desafio era conseguir que um volume de cimento se tornasse algo mais natural e atraente, com um desenho prático e ecológico e que se preocupasse com o bem-estar e com o futuro das pessoas de Seul”, comenta Jareh Das, porta-voz do estúdio MVRDV, por e-mail.

Mas é preciso esperar para ver florirem muitas dessas espécies, trazidas de vários pontos do país. Com elas chegarão ao Skygarden muitas cores além das que são vistas nestes primeiros dias. “É a herança natural da Coreia do Sul levada para capital”, contam os holandeses.

Para cumprir com as particularidades deste original projeto, a equipe de arquitetos trabalhou em colaboração com o escritório de engenharia sul-coreano KEDD e com o holandês Bem Kuipers, especialista em arquitetura paisagística.

Seus criadores tiveram que solucionar diversas exigências técnicas “ao frenético ritmo asiático”, relatam na MVRDV. O Skygarden nasceu em apenas dois anos, incluindo um complexo sistema de irrigação integrado ao solo em toda sua extensão.

A intenção é que o Skygarden repovoe o resto do país com os diferentes tipos de plantas e árvores que crescem nele. Trata-se de um viveiro pelo qual se pode passear e parar para ler um livro numa biblioteca de rua, bronzear-se num solário ou admirar a vista da cidade a partir de um observatório. É um jardim urbano pensado para uma Seul mais gentil.

 

Fonte: El País

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CASA MARQUISE

DELINEADA PARA ENCONTROS

Uma grande marquise é o destaque do projeto residencial assinado pelo escritório FGMF Arquitetos. Totalmente solta das paredes e com pilares de aços que a sustentam, ela dá nome à casa, oferece traçados geométricos aos cômodos e permite – com as divisórias em vidro e a cobertura – que a luz entre em abundância por cima da construção. “Sua estrutura proporciona ao entorno um visual leve e descontraído”, comenta Fernando Forte, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto arquitetônico.

A premissa do projeto da Casa Marquise era a criação de espaços voltados ao convívio social junto a uma nova organização do programa, por conta do aumento da família dos proprietários. “O espaço deveria ser conectado e servir de base para encontros”, destaca.

ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA

A inclinação de 6 m do terreno foi vista como um desafio ao escritório, devido à necessidade de integração de espaços. Foi preciso separar as áreas sociais e de lazer do programa central. “Para encaixar todas as necessidades, implantamos o volume íntimo no ponto mais baixo do terreno, resultando na criação de um platô onde as demais atividades se organizam”, explica Forte.

O volume mais baixo da Casa Marquise, com a fachada em cimento e formas mais precisas, oferece mais privacidade e tem aberturas voltadas a um jardim íntimo; enquanto o volume mais alto tem estrutura metálica e áreas envidraçadas cobertas pela marquise. Com mínimas vedações, vidros e uma das paredes em madeira, o programa é todo integrado. “A moradia lembra uma casa-pátio mexicana, organizada em torno da área central aberta”.

Através da marquise, as áreas sociais configuram um pátio interno. A piscina, localizada no trecho inicial da casa, é cercada pelos ambientes sociais e de serviço; enquanto o volume abaixo e mais robusto – disposto no nível inferior do terreno – abriga os dormitórios e um jardim. “A leveza da marquise no andar principal se opõe à outra parte do programa”, salienta Forte.

No nível da rua, toda essa organização não pode ser vista – apenas a marquise do volume mais alto –, porque a residência foi construída acima da cota de implantação. Dessa forma, foi possível garantir aos proprietários mais natureza e privacidade.

DETALHES DE INTERIORES E INTEGRAÇÃO

O mobiliário da Casa Marquise é leve, simples e contemporâneo. Elementos como a lareira – que não toca o chão –, os pisos cimentícios e o painel de ladrilhos hidráulicos conversam de maneira harmônica. “Esses detalhes reforçam o pátio e o jardim, que são uma espécie de moldura para que a vida da família se desenrole ao longo dos anos em um espaço generoso e cheio de possibilidades”, conclui Forte.

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LEITÃO 653

CONEXÃO COM A CIDADE

“O edifício Leitão 653 foi concebido como um lugar de inspiração em conexão permanente com a cidade”, afirmam os arquitetos Greg Bousquet, Guillaume Sibaud, Olivier Raffaelli e a brasileira Carolina Bueno, do escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture. A razão desta forte ligação começa na própria fachada lateral dotada de um grande painel transparente, constituído por três tipos de blocos de vidro: jateado, transparente e na cor branca.

Durante o dia, a fachada recebe e absorve a luz do sol gentilmente, enquanto o interior inunda-se de pixels, formando um tecnológico desenho. À noite, a luz interna da construção irradia por entre os vidros para o exterior, tornando o prédio transparente e lembrando um muxarabi ou até uma catedral da idade média, com seu ‘vitral’ contemporâneo revisitado. Cada escritório em funcionamento faz do prédio uma enorme lanterna. Para os transeuntes, fica o movimento de silhuetas contra a luz.

NO CORAÇÃO DE PINHEIROS

O popular bairro de Pinheiros, em São Paulo, faz parte do cenário deste prédio comercial. O Leitão 653 ocupa uma estreita e comprida faixa de terreno com, aproximadamente, 42 x 10 metros. O edifício não foge à configuração do lote: possui apenas 4 metros de largura e 25 metros de altura. Ele está ladeado por construções tradicionais e torres residenciais de variadas escalas.

Sua arquitetura – no mínimo inusitada – combina na frente pequenas sacadas alternadas com a lateral de tijolos de vidro, que remete a um jogo de esconde-esconde. No teto, mais uma surpresa: áreas de estar e de intercâmbio promovem o lazer aos usuários.

DESIGN: INSPIRAÇÃO NA MAISON DE VERRE

Longe de ser estática, esta arquitetura estabelece uma fácil comunicação entre o meio urbano e o interior do edifício e teve inspiração na Maison de Verre, de Pierre Chareau, localizada em Paris. A casa projetada e construída entre 1928 e 1932 foi o primeiro projeto a incorporar o bloco de vidro nos fechamentos, experimentando uma nova estética arquitetônica.

Os arquitetos do Triptyque confessam a predileção pela construção quando ainda eram estudantes em Paris e iam visitá-la. “As cenas de transparência transmitem um erotismo sutil e revelam outro uso do prédio, visível a partir da rua”, reflete Greg Bousquet. É que a fachada filtra a vista urbana, o barulho e a luz zenital, como uma tela entre o prédio e a cidade.

MATERIAIS: MAIS QUE BLOCOS DE VIDRO

Elemento industrializado, autoportante, disponível em qualquer loja de construção, o bloco de vidro caracteriza e qualifica o Leitão 653. Ele traz uma luz difusa e uniforme para o espaço estreito. Funciona também como um filtro, pois minimiza o impacto da vista direta para o cemitério vizinho.

Outra vantagem do uso do material é a questão térmica. Os tijolos, escolhidos em três tipos – vidro transparente, jateado e branco – têm um padrão com estética aleatória, mas desempenham também a função de proteção solar e térmica. “Isto é o que mais nos agrada. Explorar de maneira estética e técnica um material simples e muitas vezes subestimado. E conseguir com o bloco de vidro tirar partido de um lote estreito e difícil”, afirmam os arquitetos.

Há, ainda, um terceiro benefício. Quando o edifício foi concebido, entrava em vigor a Lei Cidade Limpa, que proibia mensagens publicitárias. Assim, a empena de vidro, com escala e posição próprios de um outdoor, remete às imagens transmitidas pelos antigos aparelhos de tevê, quando o sinal de comunicação falhava.

USO COMERCIAL

O Leitão 653, do Triptyque Architecture mescla diversos usos em seu arrojado projeto: serviços, comércio, cultura, gastronomia e entretenimento à sua volta. São sete andares, entre eles dois dúplex, ocupados por escritórios de 47 a 214 m², além de espaços para lojas ou galerias com 70 m², 94 m² ou 164 m². O embasamento é ocupado por uma concessionária e, sobre ela, há dois escritórios. Um terraço faz a transição para os quatro andares do edifício, caracterizados pela parede em bloco de vidro. Nesses pavimentos estão os escritórios comerciais dúplex e, na cobertura, fica a área comum, que abriga a sala para reuniões e o terraço jardim compartilhados por todos.

A circulação vertical centralizada favorece a entrada de luz natural e vistas para o exterior em quase toda a extensão do perímetro. O layout flexível ajusta-se às necessidades de cada condômino, que ainda dispõe de estacionamento rotativo, piso elevado e infraestrutura para ar-condicionado do tipo split system.

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LLUSSÁ MARCENARIA

LLUSSÁ MARCENARIA

Loja de móveis de madeira Llussá se localiza no bairro da Vila Madalena, em São Paulo

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CASA LG

A CASA LG

A casa LG fica localizada no Jardim Paulistano, em São Paulo.

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CASA EM ORLÂNDIA

UM NOVO OLHAR

Localizada na pequena cidade de Orlândia, em São Paulo, a residência projetada pelo escritório SPBR Arquitetos, foi feita com blocos de 80 m² laterais divididos por lotes que ocupam basicamente um único piso. Os arquitetos abriram horizontes na reforma. “De maneira generosa, privilegiamos a iluminação natural e acrescentamos no programa salas de estar, jantar e música, jardim e piscina”, conta o arquiteto Angelo Bucci.

ESTRUTURA DA CASA

Da casa que existe há 20 anos restou apenas a estrutura; todo o restante foi repaginado. Os arquitetos ergueram um andar e a tornaram um sobrado embora em seus 450 m² de área de terreno quase não se percebe a presença de pavimentos. A laje de concreto horizontal foi mantida em prol da paisagem. “O exterior não permitia a existência de um telhado de duas águas, isso impediria a vista. É interessante notar que as casas e os prédios ao redor preservam o mesmo gabarito, todos são edifícios baixos. E o telhado horizontal permite a visão para todas as direções”, relata o arquiteto.

Como a laje não poderia sobrecarregar o chão, o escritório projetou vigas de madeira, para sustentar o topo das paredes, erguidas por uma viga de betão, como se fosse um anel. Parte dessa nova plataforma foi coberta para fazer a nova sala de estar e de jantar. Além das vigas de madeira na reforma, os arquitetos utilizaram estrutura em aço, como um pórtico, cujos pés tocam o chão da parede.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

“A pérgola de madeira está associada a uma sombra do toldo leste vertical e a fachadas oeste. Além disso, uma persiana de madeira ajuda a filtrar a luz nas frentes norte e sul. A sala de estar está localizada no térreo e é integrada às varandas próximas ao jardim e à piscina. Abaixo da área da piscina está a sala de música”, explica.

Os arquitetos optaram por preservar a residência, alterando apenas algumas peças, que foram adicionadas para fazer um novo conjunto, uma casa remodelada.

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ESCOLA VERA CRUZ

IDENTIDADE PEDAGÓGICA

Um concurso fechado realizado em 2008 pela equipe pedagógica da Escola Vera Cruz, em São Paulo, definiu os escritórios de arquitetura responsáveis por desenvolver o projeto arquitetônico de reforma da instituição, que é referência de ensino na capital paulista.

Assim, as arquitetas Marina Grinover e Catherine Otondo, sócias do Base Urbana, assinaram o trabalho em parceria com os arquitetos Jorge Pessoa (Pessoa Arquitetos) e Sérgio Kipnis (Kipnis Arquitetos Associados).

O plano diretor requeria aumentar e renovar os ambientes das cinco unidades da Escola Vera Cruz (Pré-escola, Ensino Fundamental 1 (EF1), Ensino Fundamental 2 (EF2), Escola de Inglês e Ensino Médio (EM), localizadas nos bairros da Vila Madalena e da Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. Apesar de ter incluído todas as unidades, o programa priorizou aquelas que tinham maiores problemas espaciais, como as que atendem ao Ensino Fundamental 2 e ao Ensino Médio.

Sobre o restauro dos edifícios, a arquiteta Marina Grinover revela que começaram pelo do EF2, ampliando os espaços que acolhem professores e funcionários. “Fizemos o edifício de artes e a reforma do térreo. No conjunto do EM, mexemos, sobretudo, na área de esporte e na cantina. Todas essas obras estão relacionadas ao Plano Diretor elaborado junto com a direção da escola”, explica, complementando: “Todas as obras tiveram um condicionante importante, que foi o tempo. A escola não podia parar de funcionar para que as intervenções acontecessem, então toda a estratégia de projeto foi pensada em função do tempo das férias e de como liberar espaço no período em que as crianças estivessem frequentando a escola”.

ATELIÊ DE ARTES

O edifício da sala de artes, localizado na sede do EF2, foi um dos focos da primeira etapa do retrofit, que envolveu três fases. A construção envolveu a demolição de pequenas construções que ficavam anexas ao prédio principal. No lugar delas, foram criados galpões e pavilhões que podem ser usados para diversos fins, oferecendo a flexibilidade que o ambiente pedagógico requer. Os novos espaços serão usados como sala de artes, laboratório, área administrativa ou técnica, com uma multiplicidade de ações embutidas na estratégia do projeto.
A arquiteta conta que o bloco de concreto foi usado apenas nas paredes laterais, em conjunto com a estrutura de madeira, para sustentar as lajes e a cobertura dos edifícios. “O bloco é o material usado na estrutura dos prédios já existentes, por isso também usamos nas construções novas. A madeira entra como elemento contemporâneo na reforma do conjunto como um todo”, diz.

Antes, as salas de artes estavam no meio do pátio do térreo, se misturando a outras atividades. “Desafogamos o que estava apertado, e a escola ganhou outra qualidade para o pátio, um grande lugar do encontro”, fala Grinover.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Em nenhum ambiente existe ar-condicionado – salvo o laboratório de informática. Os edifícios foram concebidos sempre com ventilação cruzada, sombreamento das fachadas críticas, norte e oeste, vegetação para equalizar a umidade do ar e grandes planos de janela. “Nós adotamos essa diretriz ao estudar a arquitetura dos prédios existentes. Ao reformá-los, aprimoramos o sistema”, explica a arquiteta.

Dentro desse conceito de qualidade ambiental, de baixo impacto energético e aproveitamento da ventilação natural, os materiais de acabamento e o sombreamento das fachadas tem papel fundamental. “Fizemos um estudo para as unidades existentes e redesenhamos os brises, completando o conjunto com o mesmo modelo”, menciona Grinover.

“No caso do edifício novo de artes, estudamos a insolação e desenhamos um painel brise de madeira maciça, fixo, que permite a visibilidade do exterior com sombreamento total nos períodos críticos do dia e do ano”, complementa a arquiteta.

PARCERIA DE SUCESSO

A parceria entre os escritórios de arquitetura criou uma equipe de vários projetistas, que trabalharam de acordo com as demandas do cliente. O engenheiro Hélio Olga (ITA Construtora) foi responsável pelo processo construtivo do projeto. A rapidez da obra decorreu da utilização de estruturas pré-fabricadas, blocos de concreto e fechamentos de caixilhos.

Além da preocupação com os custos e prazos da obra, os arquitetos buscaram atender às demandas pedagógicas tão essenciais para a comunidade escolar.

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RESTAURANTE DELIQATÊ

PARA COMER E DESCONTRAIR

Apenas as paredes laterais e dos fundos permaneceram intactas quando o projeto para restauração da antiga casa – que abrigaria o Restaurante Deliqatê – começou a ser criado. A estrutura em aço com fechamento em vidro que sustenta as lajes dos três pavimentos do sobrado, construído nos anos 40, foi escolhida para destacar o estabelecimento, localizado no bairro paulistano Jardins. A ideia era transformar a casa em um restaurante descolado – uma espécie de oásis na movimentada Alameda Jaú.

“O terreno era bastante estreito, com apenas 5 metros de largura. Por conta disso resolvemos o projeto primeiro em corte, criando terraços desencontrados e espaços com pé-direito duplo, para então resolver a aparência geral”, explica Fernando Forte, um dos sócios do escritório FGMF Arquitetos Associados, responsável pelo projeto.

ESTRUTURA METÁLICA X TIJOLO DE BARRO

A estrutura metálica é vista em todos os pontos da construção, inclusive nas estantes e passarelas. “O material foi escolhido para ser o organizador dos espaços e dos produtos em display. Isso deixou a entrada, especialmente, com um aspecto quase industrial, que nos agradou muito”, ressalta.
O edifício de três andares, geminado a outros sobrados, é visto como uma caixa inserida em um espaço entre a rua e os vizinhos. A parede dos fundos já era constituída de tijolos de barro maciço e foi mantida para preservar os traços antigos. Um deck na parte frontal do restaurante foi inserido para abrigar um carrinho ambulante – para venda de sanduíches e guloseimas.

CORES

As obras de arte e o mobiliário escolhido para personalizar os espaços apresentam cores que dão vida ao restaurante. “Há uma grande escultura metálica colorida no pé-direito duplo rodeada pelas passarelas metálicas. Além do painel do Fabio Flaks, em ladrilho hidráulico colorido, que começa logo na entrada e vai até o fundo, numa tentativa de unir os espaços da frente com os fundos e guiar o cliente até as áreas externas de uso”, destaca o arquiteto.

DESIGN E TRANSPARÊNCIA

A fachada transparente com garrafas expostas é o diferencial do estabelecimento. Com decoração charmosa e inusitada, a frente – revestida com cerca de seis metros de vidro – proporciona às pessoas visão quase total dos ambientes internos. “Queríamos uma fachada bastante envidraçada e criamos uma espécie de vitrine ou fechamento de vidro integrado à rua – onde estão as garrafas vermelhas. A criação de agradáveis ambientes de estar confere charme especial ao projeto”, conclui Forte.

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CASA EK

MODERNA E ÚNICA

Um estreito terreno de 750 m² em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, abriga a Casa EK. Assim como a construção vizinha, a morada foi projetada pelo Studio Arthur Casas. “O único pedido do morador foi que sua propriedade ficasse distinta da casa ao lado, de forma que cada uma tivesse a sua própria personalidade”, comenta o arquiteto Arthur Casas.
A única entrada da residência está voltada para o mar e é um dos destaques do projeto arquitetônico. Seu fechamento é feito com um portão guilhotina que, quando aberto para a passagem de carros e pedestres, desaparece sob a calçada. Esse portão pode ser fechado totalmente ou pode ficar numa altura intermediária, que conserva tanto a intimidade da família quanto a vista para a praia.

ESTRUTURA

A estrutura da Casa EK foi elevada em relação ao solo, que foi escavado para abrigar a garagem. A elevação da residência deixou o térreo 1,2 m acima do nível da rua, sendo que neste piso foram inseridas a piscina, as áreas sociais e de serviços e uma suíte voltada para o jardim dos fundos. Outras cinco suítes foram projetadas no primeiro andar: duas com vista para a praia e duas para a serra. Uma suíte central, com sala íntima, está ao lado da escada.

MATERIAIS E REVESTIMENTOS

O volume da residência é revelado pelo pórtico na fachada, permitindo os interiores com vãos de 10 m. Essa metragem fez com que a sala se abrisse completamente para o exterior, onde caixilhos, que correm para as laterais, integram o estar, a sala de jantar e o home theater ao deck da piscina no térreo. Para realçar a sensação de integração entre interior e exterior, o arquiteto conta que aplicou tom fendi claro nas paredes, marcenarias e forro.
Os painéis metálicos do pavimento superior foram encaixados nos pórticos da estrutura inferior e serviram de peitoril. Com janelas e portas de correr, esses painéis podem ser abertos, tornando o volume da residência mais dinâmico. “Isso fez com que a casa parecesse ter uma altura menor e proporções mais suaves”, conta Casas.
A cobertura da Casa EK foi transformada em um solário. Nessa área, todos os guarda-corpos são em vidro extra clear para ressaltar o contato visual com a paisagem, além de criar um clima mais aconchegante ao local.
Como o programa ocupou quase toda a extensão do terreno, deixando poucas áreas verdes, a saída foi criar generosos jardins verticais em um sistema geométrico. Mesmo quando a vegetação estiver densa proporcionará beleza à casa.

PROJETO DE INTERIORES

O projeto de interiores combinou tonalidades quentes e frias, como tons fendi claro na arquitetura e tecidos e mobiliário na cor mostarda. “Os moradores optaram por peças brasileiras para o mobiliário como a poltrona mole de Sérgio Rodrigues e a mesa pétala de Jorge Zalszupin, além da atmosfera casual, condizente com uma casa de praia”, conclui o arquiteto.

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ESCOLA EM ALTO DE PINHEIROS 2

EDUCAR, INTEGRAR E COLORIR

O projeto arquitetônico Escola em Alto de Pinheiros, de autoria do escritório Base Urbana, teve como premissa traduzir a visão pedagógica das clientes na nova unidade, que queriam áreas abertas e flexíveis. “É uma escola bilíngue onde todos os espaços são lugares de ensino”, destaca Catherine Otondo, uma das arquitetas responsáveis pelo projeto.

A unidade – localizada em São Paulo (SP) – conta com quatro salas, uma biblioteca, um espaço de artes e apoios pedagógicos, além de salas de coordenação e diretoria. “Foi um desafio para nós criar espaços com tanta flexibilidade seguindo uma perspectiva educacional”, complementa.

PONTO DE PARTIDA

Como a escola precisava com urgência de um espaço que atendesse às necessidades dos alunos, o trabalho exigiu uma entrega rápida, com processos e construção eficientes. O terreno ficou disponível em agosto, e a obra precisava ser entregue em janeiro. De acordo com Catherine, o prazo curto fez com que as arquitetas criassem um sistema de trabalho muito intenso. “Além do constante contato com as proprietárias, nos reuníamos com a construtora e com a equipe que desenhava o mobiliário toda semana, durante quatro horas. Foi um processo enriquecedor”.

No terreno de 15 x 40 metros, a Escola em Alto de Pinheiros foi construída de cima para baixo. Como optou-se por instalar a quadra no pavimento superior, a estrutura de concreto foi escolhida para viabilizar a construção dos grandes vãos e absorver os esforços de carregamento da laje dupla da quadra.

Para que a concepção fosse finalizada no prazo, optou-se pelo uso de sistema estrutural misto. Isso porque foi necessário organizar o cronograma quase que diariamente. “Tínhamos que saber exatamente os prazos de execução de cada etapa para podermos abrir múltiplas frentes de trabalho, sem que uma interferisse na outra”, explica a arquiteta. “Enquanto construíamos em cima, acertando as questões de concreto, outra equipe entrava por baixo para a montagem da laje intermediária e os fechamentos das salas de aula. Isso permitiu um canteiro de obra limpo e eficiente”, complementa.

IMPLANTAÇÃO DA QUADRA E QUESTÕES ACÚSTICAS

O grande desafio do projeto arquitetônico era atender ao programa extenso em um terreno pequeno. A solução foi instalar a quadra na cobertura. “Esse é um recurso bastante utilizado em muitos lugares. Escolas públicas acabam fazendo isso porque a terra é escassa em São Paulo. Por outro lado, é muito bonito praticar esportes e ver a copa das árvores. É uma situação lúdica interessante”, ressalta Catherine.

O maior problema de fazer uma quadra em cima das salas de aula não é o barulho, e sim a reverberação do impacto da bola na superfície. Por isso, optou-se pela implantação de duas lajes, uma soldada na estrutura principal e, sobre ela e isolada por uma camada de isopor, outra concretada de forma a não encostar nas vigas de borda. “Ela fica flutuante, absorvendo o impacto da bola, mas sem passar para as paredes laterais”, destaca.

MATERIAIS, CORES E CONFORTO

Os materiais predominantes do projeto – concreto e madeira – expressam sua própria plasticidade tectônica. Os fechamentos são todos feitos em placas cimentícias, com destaque para os brises coloridos. “Esse elemento resolveu muito bem a fachada oeste e as salas de aula, pois nenhuma tem ar-condicionado. Já na sala de artes, os brises permitem a integração do espaço com o jardim externo”, explica Catherine. Além de garantir mais eficiência térmica, os brises coloridos podem ser desenhados. “O próprio material vira elemento de brincadeira. Isso foi muito lindo e divertido de fazer”, relembra a arquiteta.

Por estar instalada em um bairro muito arborizado, a escola recebeu cores da natureza, do céu e das árvores. O pavilhão da sala das artes tem cores mais fortes – amarelo, fúcsia, vermelho etc. – que remetem a balas jujubas.

Como a escola foi concebida em plena crise hídrica, buscou-se um uso mínimo de recursos para prover conforto térmico. “A ventilação natural acontece em todas as áreas. As portas vivem abertas, a janela vive aberta. O brise da frente, além de proteger, mostra para os alunos até lições de geografia, de natureza e seus movimentos. Um exemplo é a leitura do sol através do elemento, que acompanha mesmo sem querer sua posição durante o dia”, conclui a arquiteta.

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